LEITURAS - A cultura no mundo líquido moderno Zygmunt Bauman

por - 12 novembro


Um dos mais brilhantes e influentes pensadores da atualidade, Zygmunt Bauman rememora os deslocamentos históricos do conceito de cultura e examina seu destino num mundo marcado pelas novas e poderosas forças da globalização, da migração e da coexistência bélica de populações. Em sua formulação original, há dois séculos, a “cultura” deveria ser um agente de mudança, uma missão empreendida com a finalidade de educar “o povo”, propiciando-lhe melhores condições de pensar e de criar. Porém, em nossa era líquida, a cultura perdeu seu papel missionário e se tornou um artifício de sedução. Ela não busca mais esclarecer as pessoas, e sim atraí-las. Sua fun- ção não é satisfazer necessidades existentes, mas criar outras, garantindo que as antigas se mantenham sempre insatisfeitas. A cultura agora se tornou objeto da moda: é uma gigantesca loja de departamentos com as prateleiras superlotadas de produtos cobiçados, estimulando desejos cuja gratificação é eternamente adiada. Ao mesmo tempo em que se padroniza, no entanto, a cultura já não é universal, ela se especializa. Hoje existem “culturas”, e o “multiculturalismo” na verdade significa indiferença em relação ao outro. Mas Bauman aponta uma chama de resistência aos poderes globalizados e de luta pelo direito de ser igual: exatamente ali onde os guetos se formam, é possível construir um espaço de convivência no qual todos são convocados a aprender com os outros.


ZYGMUNT BAUMAN é o grande pensador da modernidade – a qual qualificou tão bem com o célebre conceito de “liquidez”. Perspicaz analista dos fatos cotidianos, o sociólogo tem vasta obra sobre temas contemporâneos, com destaque para o bestseller Amor líquido, fundamental para a compreensão das rela- ções afetivas no mundo atual. Bauman nasceu na Polônia e mora na Inglaterra desde 1971. Professor emérito das universidades de Varsóvia e Leeds, tem cerca de trinta livros publicados no Brasil pela Zahar, com enorme sucesso de público.

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