Orquestra Jovem emociona grande público em homenagem a Beethoven

por - 03 maio

Foto: Ana Paula Lazari
O fino tratamento que os músicos da Orquestra Jovem Municipal de Guarulhos (OJMG) deram ao repertório dedicado ao compositor alemão Ludwig van Beethoven, no último sábado (28), deixou o grande público com mais de 750 pessoas, que lotou o Adamastor Centro, maravilhado. E não era para menos, pois além de marcar a estreia de jovens instrumentistas recém-admitidos pela Orquestra, o espetáculo contou com as brilhantes presenças da violinista Elisa Fukuda, do violoncelista Joel de Souza e da pianista Vera Astrachan. 
Elisa Fukuda é solista com formação em Genebra e orientadora de várias gerações dos melhores profissionais deste instrumento no país. Ela e a pianista Vera Astrachan compõem o Duo Fukuda Astrachan, que tem mais de 20 anos de estrada e vem se apresentando em importantes eventos e salas de concertos do Brasil. O violoncelista Joel de Souza é membro da Orquestra Municipal de São Paulo, chefe de naipe da Sinfônica Estadual do Mato Grosso e professor da Unesp e da Emesp.
De acordo com o violinista Renan Vitoriano, de 27 anos, Spalla da OJMG, a oportunista de tocar com esses grandes solistas, em especial com a professora Elisa, oferece aos músicos a oportunidade de impulsionar ainda mais seus conhecimentos acerca da música erudita: “Seu estilo é extremamente bem calculado e técnico; ao tocar, ela explora a grande maioria das técnicas e pontos chaves para um bom trabalho de base junto ao violino, o que nos direciona para o aprimoramento daquilo que fazemos”. 
As narrativas de Beethoven
Sob regência do maestro Diego Pacheco, a primeira peça executada foi a Abertura Coriolano, composta em 1807 e dedicada a um espetáculo teatral. A narrativa do referido espetáculo trata de um general do exército, de nome Coriolano, cônsul de Roma, que é traído por seus inimigos e expulso da cidade. Coriolano, então, organiza um exército poderoso para tomar Roma. Sua família, feita de refém, é enviada para convencê-lo a não invadir a cidade. Entre o amor à família e lealdade àqueles que o seguem, Coriolano acaba optando pelo suicídio. 
Em seguida, a OJMG executou a Sinfonia nº. 1 em dó maior op.21, a primeira das nove sinfonias de Beethoven, composta na Áustria no final do século XVIII e estreada há exatos 218 anos, também no mês de abril. Com quatro movimentos, a Sinfonia nº. 1 é repleta de pequenas surpresas, como seu primeiro acorde, dissonante,  e uma importante participação da percussão, inovações dentro da linguagem da época, o Classicismo. 
Para fechar o espetáculo da noite em grandíssimo estilo, a OJMG executou o Concerto Tríplice para violino, violoncelo e piano em dó maior op. 56, que contou com os solistas Elisa Fukuda, Joel de Souza, Vera Astrachan. De acordo com o maestro Emiliano Patarra, responsável por sua regência, não é comum um concerto dedicado a três instrumentos diferentes. “Beethoven sempre foi um grade experimentador e, em meio a suas pesquisas, compôs essa peça para esses três instrumentos solos, uma obra que se tornou referência por conta dessa junção tão especial”, explica o maestro. 
Notadamente reconhecidos por suas inúmeras contribuições à música erudita no Brasil, Elisa Fukuda, Joel de Souza, Vera Astrachan enriqueceram a peça com impressionante cadência e alinhamento entre as sequências de solos dos instrumentos, uma intepretação sensível e cheia de vigor, impressionando o público e demais instrumentistas. 
O espetáculo em homenagem a Beethoven dá continuidade ao circuito de apresentação da Temporada 2018 da Orquestra Jovem. Dentre as particularidades dessa edição estão os espetáculos Rock em Concerto, o Samba em Concerto e o Circo em Concerto. A OJMG também dedica sua temporada a grandes homenagens, como a deste sábado, e também dedicará repertório especial ao compositor romântico Richard Strauss, ao brasileiro Heitor Vila Lobos, entre outros.
Para conferir imagens do espetáculo, clique aqui:

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