Relembrar a ditadura militar no Brasil para que jamais se repita

“Verde que te quero verde” é uma peça curta escrita por Plínio Marcos para a Primeira Feira Paulista de Opinião, em 1968. O texto, escrito durante a ditadura política que assolava o país, satirizava especificamente os agentes da censura. E o triste foi que o próprio texto (junto com todos os outros que compunham a Feira) foi todo censurado, claro, como podemos ver nas imagens do nosso dossiê da censura da Feira.

“Na peça, o coronel, que era chefe da polícia, ia censurar minha peça, e ia esquecendo as palavras, e ia ficando imbecil.” (Plínio Marcos em “Eu queria humanizar o exército” depoimento na edição do livro 1 Feira Paulista de Opinião, Expressão Popular, 2016). Cheia de palavrões, que com certeza seriam censurados, e peça era um chamado de embate direto cheio de humor.

Para Yan Mishalsky, “Verde que te quero verde” é “uma pequena charge, uma espécie de desenho em quadrinhos transportado para o palco, mas o seu grosso e primitivo humor é de uma devastadora violência.” [Yan Mishalsky, “Arena foi à Feira”, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 17/9/1968] (trecho retirado do site www.pliniomarcos.com/teatro/verde.htm)

Plínio Marcos, o autor da peça, foi um dramaturgo contemporâneo de Augusto Boal. Durante a sua vida escreveu inúmeras peças, escreveu para o teatro infantil e publicou inúmeros livros. Trabalhou no Teatro de Arena como dramaturgo e também como administrador.
Plínio tinha um caráter muito combativo em época da ditadura, foi preso duas vezes. Sua primeira peça escrita em São Paulo, “Reportagem de um tempo mau”, foi censurada em 1965, no começo da ditadura. Isso não o desanimou a continuar escrevendo. Tanto que participou da Feira Paulista de Opinião criticando justamente a censura, que era, provavelmente, o que mais lhe abatia.

Podemos conhecer um pouco de todo esse seu enfrentamento com a censura, também neste artigo que indicamos a vocês:
http://www.pliniomarcos.com/dados/censura.htm

Fotografias: Cena de Verde que te quero verde, por Derly Marques; Documento da censura da peça; Plínio Marcos, por Ary Brandi.

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