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por - 25 janeiro




PLANEJAMENTO E AFETO
Em vias de esgotamento do tempo, o viés mais racional é eleger prioridades nas nossas vidas. Desde sempre, podemos ensinar aos nossos filhos o valor da vida em comunhão com o outro, muito mais o valor dos momentos do que o preço que se exige de nós...
Há muitos anos realizo com minha família, uma prática bastante plural, democrática, realista e autoral na construção de passeios e atividades para cada uma das férias semestrais que chegam... A ansiedade deles para criarmos a nossa “tabela de férias” é enorme e essas tábulas criadas à mão com a pureza e inocência da infância, certamente formam valores indestrutíveis na mente deles, fortalecem ainda mais nosso vínculo afetivo, lhes dão parâmetro do que podemos e senso de realidade.
Primeiramente ouvir o que eles têm a dizer é muito importante, quais seus anseios, suas vontades, seus sonhos, dos mais simples aos mais desafiadores... Tivemos edições da tabela que fomos enumerando uma lista de coisas interessantes para se fazer no período mais esfuziante do ano... Tem de tudo nessa lista desde dar banho na cachorra, ir ao cinema, fazer um bolo com o papai, fazer gelinho em família, empinar pipa, brincar de caça ao tesouro dentro de casa, chamar amigos para uma sessão pipoca, tomar banho de chuva, construir um carro de papelão, criar um robô com sucata, visitar os avós, presentear alguma criança carente com livros, doar brinquedos à quem precisa, pintar o corpo com tinta guache, visitar um asilo, fazer um show com as panelas da mamãe, soltar um passarinho na floresta; até fazer uma guerra de bexigas d`água; enfim o cardápio de atividades é muito maior... Percebam o quão variada é a nossa lista e a possibilidade enorme de nós, pais, influenciarmos positivamente atitudes que não apenas os tão habituais jogos eletrônicos dessa geração.
Mas por que criar uma tabela pra isso? Primeiro estamos embutindo no memorial da infância dessas crianças um referencial de planejamento estratégico imprescindível, pois não basta simplesmente jogar atividades aleatoriamente na lista, é preciso analisarmos juntos se teremos condições de realizar, se há algum risco ou perigo nas ideias propostas, por isso os pais são os coordenadores dessa aventura deliciosa de elencar as atividades de férias... Outro fator preponderante na importância dessa construção é permitir em certa medida que as crianças possam extravasar, fazer coisas que talvez na correria do dia a dia não podem.
Se durante as férias há esse deleite de possibilidades e desafios lúdicos; para se chegar nesse período é preciso passar por uma fase que chamo de “construção de caminho” com etapas que lhes dão conta de tarefas diárias. Por isso durante os outros meses do ano, antes de chegarmos nas férias criamos juntos a “tabela de regras” para dar suporte aos deveres do dia a dia; esse documento feito coletivamente é sempre colado no quarto deles, para nós recorrermos quando eles escorregam em suas obrigações diárias.
Em suma, viver a infância das crianças é mediar, orientar, propor, instigar prazeres e deveres, com avaliação permanente, com a alma vibrante que o amor exerce.
Tiago Ortaet

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