Estado Laico para a diversidade de crença no Brasil

por - 16 agosto

LAICIDADE

Nasci numa família que sempre preservou os princípios religiosos; fui criado indo à missa aos domingos, fiz catecismo, crisma e integrei grupo de jovens da igreja; cantei no coral, participei de grupos de orações nos bairros e tudo isso me fez muito bem. Mas tenho como regra de vida o respeito absoluto à toda crença. Na minha família há evangélicos, espíritas e budistas, tenho amigos umbandistas, candonblecistas, agnósticos e ateus. Eu aprendo com todos eles. 

Hoje sou mais adepto à fé do que as instituições religiosas até por que eu tenho muito a questionar e igrejas não admitem que seus dogmas sejam contestados.

Igrejas, na sua maioria, vendem cartilhas; como um manual de instruções para se viver, isso está cada vez menos interessante, pois não tolera o que pensa diferente.

Nas questões sociais, várias igrejas cumprem um papel social bastante relevante na sociedade. Um bom exemplo disso são os trabalhos com as pastorais católicas, como a pastoral da criança, que teve durante décadas o olhar atencioso da sanitarista Zilda Arns, eternizada em seu ativismo na proteção de crianças contra a fome e a desnutrição; até hoje as pastorais atuam no seio das comunidades, onde muitas vezes o estado, pela sua ineficiência, não chega.

Missões como a ressocialização de presidiários à dependentes químicos, ações em asilos, abrigos e entidades assistenciais; trabalhos de alicerce comunitário com jovens fazendo com que eles sejam desviados da criminalidade, geralmente ali bem na porta de suas casas, mostram uma igreja bem conectada com o evangelho que pode sim apontar um caminho, mas dispensa pré julgamentos.

Inúmeros projetos das igrejas evangélicas, de centros espíritas, de terreiros de candomblé que promovem a influência da cultura africana em nossa brasilidade, enfim, inúmeras outras atividades que não caberiam num artigo de jornal; reconheço o inestimável valor social que as religiões tem na nossa sociedade, porém nesse aspecto social bem fundamentado há um emaranhado de fios morais onde nós são visíveis quando se trata de direitos fundamentais.

Cada vez é mais urgente o debate da importância da laicidade do estado de modo que líderes políticos não tentem implementar sua fé como regra de uma nação.

Nessa semana encontrei no mar da internet uma postagem bastante sensata que dizia "E se entrasse um presidente umbandistas e ensinasse seu filho a dizer: "Exú acima de todos" deu pra entender a importância do estado laico? Achei muito sensata a postagem pois ela reflete o quanto egoísta são aqueles que defendem um poder plastificado pela religião. Por um estado laico de verdade. 

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