INFÂNCIA PRIORIDADE MÁXIMA é o artigo dessa semana

por - 09 outubro

Sabe aquele conceito de vida de que tudo que começa bem tem uma grande probabilidade de dar certo até o final? Assim é num projeto arquitetônico, por exemplo, onde para que o arquiteto possa ousar num telhado suntuoso é preciso, antes, terem sido criados alicerces fortes; prioridades também são indispensáveis para uma expedição ao mar, para haver uma navegação em que se possa explorar tudo que o mar pode proporcionar é preciso que as velas tenham sido bem amarradas; os cilindros de oxigênio revistos e bem recarregados para um  mergulho com mais segurança, para um desfrutar dessa experiência com mais propriedade e paixão.

Se isso funciona para diversos projetos, em diferentes áreas, imaginem na própria vida humana? Imaginem aplicando esse conceito para conceber a infância como prioridade máxima... Esse conceber implica muitas esferas: o poder público, a sociedade, a escola e principalmente a família.

A ciência já prova que crianças que são ouvidas, respeitadas, que têm garantidas sua pureza e ingenuidade, que são livres para brincar, que têm experiências culturais significativas e fortes vínculos afetivos se tornam adultos mais saudáveis em diversos aspectos, principalmente em maturidade emocional.

As crianças, indefesas como são, precisam de nós, adultos, para fazer valer pelos seus direitos. Somos nós que devemos zelar por esse alicerce bem feito para que elas, um dia adultos, cidadãos, possam erguer seus andares de sucesso, de afeto, de amores, de se construírem e se relacionarem; somos nós, adultos, os responsáveis por içar as velas da infância para que naveguem tranquilamente em toda sua potencialidade e preparar os cilindros de oxigênio para que mergulhem com segurança no mar da vida.

Que nosso “feliz dia das crianças” reflita, dentre tantas outras coisas, que criança não tem namoradinho, criança tem amiguinho; por que não é saudável que a infância seja erotizada, muitas vezes os próprios adultos fazem esse tipo de brincadeiras inapropriadas, instigando que crianças tenham namoradinhos; isso não faz sentido algum.

Que nosso “feliz dia das crianças” mergulhe diariamente no universo infantil de nossos filhos, os ouvindo com atenção, para que eles nos contem o porquê a “Dorotéia” caiu do banco; o que aconteceu quando o “Ben10” jogou aquele super poder ou quais palavras a “Dora aventureira” disse ao “Botas” no episódio de hoje. Que escutemos nossos filhos com a mesma ou maior atenção que damos à uma notícia de telejornal ou uma fofoca de família.

A infância deles vai acabar! Parece óbvio, mas é sempre bom relembrar! Infância dura pouco... Muitas vezes eu já me peguei chorando simplesmente por verem meus filhos brincarem. Já disse algumas centenas de vezes e não me canso de repetir: Nada no mundo me emociona mais do que a infância! Toda criança do mundo é preciosa!  

Eu pai, me alimento de intimidade com meus filhos, desde “me dá um abraço pra passar a tristeza” até “vamos acampar no carro hoje” para que eles saibam que tem um parceiro pra vida toda. Eu professor, me alimento de vôos para que meus alunos possam ver em mim um impulsionar de imaginação infantil. Ah como é lindo receber o carinhos dos pequenos em sala de aula; de uma pureza, de um encantamento, que pouco se explica, mas se sente!

Que nosso “feliz dia das crianças” não esteja somente embalado num presente de loja cara, do shopping, mas em horas brincando junto com eles, em abraços escancarados, em cumplicidades e bons exemplos.

Que nosso “feliz dia das crianças” não permita agressões como medida de “educar” pois só o amor constrói pontes, agressões e gritos constroem, no máximo, quartos escuros; não é por acaso que temos tantos adultos com medo de viver. Que cultivemos mais “eu confio em você” do que “de novo você derrubou o leite? Você não sabe fazer nada”.

Que nosso “feliz dia das crianças” seja simples como a áurea de um menino que abraça o amigo, terno como uma menina que pula amarelinha, fugaz como uma corrida pra pegar doce de “São Cosme e Damião” e expansivo como uma meninada num pátio de escola...

E sabe como fazer para a infância deles durar mais do que os 12 anos que biologicamente dura? Sendo presentes, principalmente nessa linda fase da vida, pois só assim eles terão as mais belas memórias de uma infância que se perpetuará na memória afetiva e repercutirá positivamente, para sempre, em seus atos, formando adultos que irão repassar esses valores com seus filhos e netos! 

Feliz dia pra você que respeita as crianças para que elas possam ser apenas crianças!

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