BOM SENSO DEVERIA VENDER EM FARMÁCIA

A racionalidade tá perdendo de goleada para a estupidez. Hoje em dia existe um tipo de “cidadão” que acha muito autêntico afrontar medidas sanitárias, eles se perderam no ópio de sua ignorância vaidosa. Estão num patamar acima da falta de saber, pois sabem; mas não aceitam a realidade e chamam isso de opinião. É como se um prédio estivesse pegando fogo e você gritasse assim “largue esse barril de querosene por que você pode explodir tudo e todos e aumentar a catástrofe” e ouvisse desse ser de nariz empinado “respeite a minha opinião. É meu direito usar o que eu quiser pra limpar meu apartamento” claro que ele pode limpar seu lar com o que desejar; só não diante desse contexto. 

Nessa nação pandêmica que vivemos parece que sempre há espaços para delírios raivosos, não importa o quão grave esteja a situação. 

Jovens brindando, aglomerados, vezes mil, só aumentam a catástrofe diante de um descaso que tem cara de Brasil. Aí eu me pergunto: "Esses jovens não tem país e mães??? Não há nenhuma autoridade familiar que os dêem limites???

Alguns diriam que não adianta tentar explicar para quem tem o pensamento cristalizado, ainda mais quando há teor político-conspiratório que refuta dados científicos com fake-news de Whatsapp.

Fracassamos envergonhosamente como sociedade. Que cidadãos são esses???

Aliás o conceito de cidadania é exatamente pensar no próximo, promover uma convivência saudável, empática; é sobretudo exercer direitos e deveres em um estado, isso mesmo, deveres também.

Sabe aquela frase que a gente dizia quando tínhamos por volta dos 7 anos de idade para algum coleguinha “A vida é minha. Cuida da sua vida” essa frase seria super altiva e independente se não fosse dita por um adulto, num contexto de uma catástrofe sem precedentes, numa pandemia que já matou mais de 2 milhões de pessoas em todo o planeta e está sem controle no Brasil.

Atualmente “Cuidar da sua vida” é principalmente cuidar de todos. Atitudes nossas, da nossa própria vida, afeta diretamente na saúde de pessoas próximas e até de desconhecidos.

Mesmo depois de 1 ano de pandemia, com incontáveis cadáveres, milhões de histórias interrompidas, fragilidade do SUS, sufocamento de pessoas por todo o país, crise social, econômica e sanitária; ainda tem seres que desdenham disso, que minimizam, que taxam as manchetes dos jornais como “alarmistas”. Parece mentira que exista esse tipo de gente, mas infelizmente não é.

Eu sempre fui muito paciente diante da ignorância alheia; até por ser educador, sempre vi nas nossas ignorâncias diárias uma oportunidade para aprender mais e melhor. Mas confesso que ando sem paciência com uma ignorância que mata. Uma ignorância com dolo, com soberba e desprezo impregnados nela. Nada consome mais minha paz do que imaginar que um ser, teoricamente dotado de raciocínio, vocifera uma independência de não seguir os protocolos sanitários, que diz, sem nem ter vergonha de sua insensatez, que não usa máscara, que vai às festas, shows, baladas… Uma sociedade entorpecida pela insanidade que os governa, literalmente.

A internet, principalmente as redes sociais, são propulsoras desse contágio da ignorância; uma espécie de “quero passar minha alienação adiante, com orgulho” pessoas que vivem numa bolha de bestialidade onde na mente ôca dessa galera “aqui vírus nenhum chega” e esse pensamento já matou tanta gente.

Não chegamos ao caos da pandemia por acaso, foi graças a pessoas como essas que seguimos sendo um péssimo exemplo pro mundo.

Quero ter esperança mas as redes sociais ressoam caricaturas vazias demais; elas soltam uns zumbis por aí que dá medo e pena ao mesmo tempo… Só nos resta a vigilância em combater os dois vírus: da ignorância e da covid.

 

Tiago Ortaet

Educador, escritor e gestor público, atualmente está diretor de direitos humanos da cidade de Guarulhos.

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