TRUPE-ORTAÉTICA

INTENSIVÃO TEATRO SOCIAL 2017 - SÍTIO EM SANTA ISABEL
2003 - 2017 
O QUE, QUANDO, ONDE, COMO E POR QUÊ EXISTE A TRUPE ORTAÉTICA?

“A Trupe Ortaética de Teatro Comunitário é um manifesto artístico popular que se apropria do teatro para fazer pensar as questões sociais de forma crítica acerca do direito e proteção integral da criança e do adolescente, da democratização aos bens da cultura e abordagens em direitos humanos. Enriquece culturalmente os cidadãos que constroem com força e coragem a história do nosso povo. Milhares de pessoas já foram beneficiadas com o projeto direta ou indiretamente através dos eventos culturais, oficinas, cursos de curta ou longa duração, palestras, ensaios abertos, workshops, performances, ações sociais, produção de espetáculos e encontros de arte”

MISSÃO

Ser um democratizador cultural frente à sociedade contemporânea, utilizando-se de ferramentas imateriais, como o jogo simbólico teatral, para reflexões sobre a arte, cultura, educação e cidadania.

 OBJETIVOS

1)      Formar cidadãos multiplicadores do fazer artístico reflexivo.
2)      Possuir de forma permanente um caráter de pesquisa.
3)      Fomentar as atividades artísticas desenvolvidas desde a fundação da companhia.
4)      Ter a arte como um ponto de partida e um ponto de chegada, arte como processo, como meio e como finalidade principal, envolvendo aspectos sociais, históricos, filosóficos, etc. Sensibilizar a rotina impessoal dos seres humanos em suas relações.

HISTÓRICO DO PROJETO

O mote do projeto cultural foi germinado no ano de 2003 dentro de uma escola pública de Guarulhos com oficinas teatrais aos finais de semana. Dentre as produções daquela época se destaca o espetáculo “A QUINTA ESTAÇÃO” de Tiago Ortaet, um compendio marginal que abordou a vida carcerária no então maior complexo penitenciário da América Latina “CARANDIRÚ”.

A ampliação do ideal do projeto surgiu em Dezembro de 2007 num curso de Terapia Familiar Sistêmica em uma entidade social de proteção dos direitos integrais das crianças e adolescentes; amparada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
A prática artística/social em 2008 seguiu na ideia de atender crianças e adolescentes dentro de um Centro de Atendimento Biopsicossocial, a partir das ações educativas em equipe multidisciplinar (Psicólogos, Assistentes Sociais e Arte/Educadores) em regime de atendimento familiar sistêmico, através de encaminhamentos dos Conselhos Tutelares da Zona Norte de SP.

Lidamos direta e indiretamente com famílias em vulnerabilidade social e nossas intervenções se embasaram desde o início em pilares conceituais como do filósofo Pierre Bordieu (Ethos, Hábitus), do pedagogo Paulo Freire com sua pedagogia da autonomia, da proposta triangular do ensino de artes da pesquisadora brasileira Ana Mae Barbosa com seu tripé metodológico de VER-FAZER-CONHECER que podemos contextualizar em SENTIR-INTERVIR-RESGATAR e sobretudo no Teatro do Oprimido do teatrólogo brasileiro Augusto Boal.

Durante esse período O COLETIVO era composto por um grupo de ex-alunos e seu fundador e maior idealizador das abordagens de arte num espaço até então dominado pela psicologia e assistência social.

A visão apregoada era de que as pessoas tinham que ter a arte como um espaço de reflexão, mas todas elas não seriam ali, vistas por seus problemas, como rotineiramente ocorria, mas sim pelas suas habilidades e competências.

Vencendo a resistência de alguns profissionais da entidade e tendo uma coordenação democrática, a arte ganhou espaço pela interdisciplinaridade. A força primeira desse projeto de arte/educação foi sem dúvida, de sublinhar a humanidade nos detalhes do cotidiano.

Nas turmas de jovens, também estiveram jovens abrigados, jovens em liberdade assistida (L.A.) e crianças com deficiências mentais leves e questões psicológicas (Síndrome de Dall e depressão), porém sempre buscamos e tivemos suporte conceitual, especializado de profissionais da equipe, CAP´s AD e órgãos competentes.
Encerrado mais um ciclo do projeto, iniciamos novos rumos com o trabalho ainda mais intenso e ousado, pois a partir de então receberíamos também adultos de todas as idades, uma vez que a intenção era que as famílias se reunissem para pensar arte. Pensando arte se conheceriam melhor, estariam coexistindo com as dificuldades, podendo muitas vezes nesse processo, conhecer a solução de alguns dos seus problemas por elas mesmas. Arte como desenvolvimento humano!

Novos temas eram propostos pelos próprios participantes das oficinas, que nessa fase (2008) já somavam quase 100 pessoas, entre pais, mães, tias, avós e netas.  Famílias inteiras reunidas em vivências artísticas individuais e coletivas, uma possibilidade de coexistir identidade e alteridade.

As pesquisas instigavam um novo olhar pela cidade e as demandas do grupo transcendiam o espaço de aula e tomavam as ruas como performances, fazendo com que nosso debate ganhasse conexões expandidas do que se propunha a debater.
Transformando experiências pela prática artística tornávamos real uma arte-manifesto.

O trabalho sempre foi comunitário, por essa premissa acolhíamos todos interessados, desde dentistas à faxineiras, desde andarilhos à estudantes, de atores à recepcionistas, de jornalistas a jornaleiros, de professores a alunos; essa sempre foi uma característica importante da nossa ação: A pluralidade, a diversidade, construindo um teatro social.

Em 2009 a Trupe Ortaética passou a ter contornos de grupo de estudos interdisciplinares, tendo como mote o teatro. Nessa nova fase do projeto, foram mais de 400 participantes de nossas oficinas nos 11 grupos formados, isso só foi possível por conquistarmos um importante patrocínio que nos possibilitou ter uma equipe ainda maior. Nosso maior desafio era produzir um espetáculo musical popular da companhia.

A força do trabalho frutificou e nesse semestre, após meses de preparação estreamos o Espetáculo “PERFEIÇÃO”de Ivana Kloster, para mais de 1000 pessoas.

Ainda em 2009, já sediados num espaço maior na região central da cidade de São Paulo, mas mantendo ações permanentes em escolas de Guarulhos; foram produzidos diversos espetáculos como provocações sociais; todos apresentados em nossa tradicional maratona de apresentações titulada de “FORMARAU” um mix de teatro, música, sarau de poesias e vídeo-arte documentais dos processos de criações.

Em 2010 aumentamos ainda mais nossa oferta de vagas para cursos gratuitos de artes em regiões periféricas de Guarulhos, Mairiporã e São Paulo, inauguramos novos grupos de estudos em contação de histórias, malabares, percussão corporal, iniciação musical, cenário, fotografia, dramaturgia, além de palestras com artistas nacionais e internacionais, graças a nossa ousada busca por artistas engajados com nossa missão social e parcerias com empresas que apoiam atividades culturais. Nessa época o trabalho foi exposto em palestra pelo fundador da Trupe Ortaética no Encontro Internacional de Educação Artística em Cabo Verde, continente Africano.

Em 2011 seguimos os passos de uma arte reflexiva e portas abertas para novas experiências. Pela primeira vez implementamos oficinas teatrais de módulo II e uma oficina exclusiva de intervenções urbanas, estreitamos nossos vínculos sociais com outros estados, inauguramos uma experiência de intervenção em artes visuais e artes cênicas com Associação Comunitária da Barra da Lagoa em Florianópolis.

Em mais uma exposição em congressos internacionais de Arte/Educação a nossa metodologia foi demonstrada no INSEA WORLD CONGRESS, ENCONTRO MUNDIAL DE ARTES, que ocorreu na cidade de Budapeste, Hungria.

2012 foi sem dúvida, um ano divisor de águas em nossa trajetória, pois para garantirmos nossa autonomia artística e independência ideológica deixamos o espaço que nos abrigava a fim de buscar uma itinerância de pesquisa, um processo investigativo de nós mesmos enquanto cidadãos criadores. Foi um período mais empírico e introspectivo de nossa missão, momento de reavaliar tudo que fora plantado e alçar novos vôos. Nessa ocasião inauguramos outro ciclo de estudos titulado de “CARDÁPIO ORTAÉTICO” com pesquisas sinestésicas de teatro/educação, performances em Teatro do Oprimido e estudos teóricos. Ainda nessa fase apresentamos performance de vernissage da exposição “E…ternos Presenças e Ausências” de Tiago Ortaet na cidade do Porto em Portugal; fizemos a abertura do 4º Fórum de Teatro do Oprimido de Hortolândia e fomos participantes dos Fórum de Políticas Publicas em Hortolândia e Santos.

O ano de 2013 fundamos uma rota de desenvolvimento e ampliação das ações de formação.
Conquistamos o primeiro fomento publico e firmamos parcerias com importantes artistas e instituições promotoras de teatro e direitos humanos. Passamos a ter o apoio e referencial teórico (prático) de uma ONG de direitos humanos, construindo em parceria o teatro-fórum “Nosso Segredinho” tematizando o abuso sexual, apresentado no Fórum de Direitos Humanos realizado na Universidade Zumbi dos Palmares.
Durante todo o ano realizamos diversas aulas-abertas, palestras e vivências nas comunidades tematizando o “direito à infância” referente nossas pesquisas do espetáculo “Pedra no Lago”.

No período de 2014 à 2016 intensificamos nossas pesquisas em linguagens híbridas; onde atuamos em performances teatrais no carnaval paulistano, em escolas públicas, no cinema nacional no curta-metragem “Duas de Cinco” do rapper Criolo, atualmente com mais de 1 milhão e 300 mil visualizações e demais intervenções estéticas. Construímos também o projeto SINAPSES TEATRAIS, no sentido de proteção integral dos direitos da criança e adolescente. Ainda em 2016 realizamos o projeto “PARLAMENTO JOVEM INCENNA” para cerca de 60 jovens da cidade de Guarulhos, reestreamos o espetáculo “PEDRAnoLAGO” e participamos do “1º e 2º Encontros SEM FRONTEIRAS de Teatro do Oprimido”

Não somos simplesmente uma companhia teatral produtora de espetáculos e pesquisadora de técnicas das artes cênicas, embora saibamos da complexidade de nossa proposta, temos o compromisso social enraizado em nosso objetivo primeiro de ser um DEMOCRATIZADOR CULTURAL levando nossa arte a todas as classes sociais, sobretudo uma arte/educação comunitária.


Guarulhos, Maio de 2017


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